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Uma agenda cristã para os nossos problemas sociais:

Um dos eventos mais famosos da história política é, sem sombra de dúvidas, a Revolução Francesa. Em linhas gerais, a revolução que ocorreu no século XVIII foi resultado de uma grande e difundida ambição dos poderes políticos, na época muito bem aparelhados por elites nobres e aristocráticas sobre os burgueses e demais trabalhadores. Para o antigo estadista e teólogo holandês Abraham Kuyper (1837-1920), “o absolutismo real e o orgulho aristocrático rapidamente se espalharam como câncer e introduziram na vida uma tensão insuportável, que finalmente desembocou na Revolução Francesa.”



Segundo a historiografia clássica, a Revolução Francesa (1789-1799) ocorreu em uma França extremamente ruralizada, dividida em basicamente três classes sociais, “Os três Estados”. O primeiro estado “O Clero”, o segundo “A Nobreza” e o terceiro estado, formado por trabalhadores urbanos, camponeses e a burguesia, equivalentes a 97% da população francesa, sofrendo com uma alta carga tributária, fome e condições precárias. Não é necessário ter a mente prodigiosa do economista Ludwig von Mises para adivinhar que esse modelo social e econômico gerou uma grande crise orçamentária na França.



Essas crises enfureceram o terceiro estado, que estavam ávidos por uma solução. Para tentar contornar a situação, o rei Luís XVI promoveu algumas assembleias, a Assembleia dos Notáveis (1787) - uma reunião somente entre o 1º e 2º Estado que resolveram aumentar os impostos - e a Assembleia dos Estados Gerais (1789) - contando com a participação do 3º Estado, com o problema da desproporção da representatividade social. As reivindicações do 3º Estado não foram bem recebidas pelo rei que, demorando na sua tomada de decisão, deu espaço para a formação radical da Assembleia Constituinte (1789), composta apenas por deputados do 3º Estado, sujeitando a monarquia a uma constituição.



Paralelamente a essas efervescências políticas, ocorreu a grande revolta popular em 14 de julho de 89, a Queda da Bastilha. Daí em diante, transformações ocorreram de forma violenta, batalhas sangrentas e mudanças radicais. O rei foi decapitado na guilhotina, dando início a República Jacobina (1793-1794). Muitas mudanças positivas aconteceram, mas ainda havia muita instabilidade política, culminando no Período do Terror, onde muitos perseguidos políticos eram mortos na guilhotina repetindo a mesma crueldade do governo passado. No fim, os Girondinos - um grupo formado pela alta burguesia - acabaram tomando o poder do governo. O fim da revolução veio em 1799 com Napoleão Bonaparte (1769-1821) com o Golpe do 18 Brumário.



Sobre a revolução, o historiador liberal Alexis de Tocqueville (1805-1859) fez um comentário fatalista: “(...) a Revolução resolveu repentinamente, por um esforço convulsivo e doloroso, sem transição, sem preocupações, sem deferências, o que ter-se-ia realizado sozinho.” Isso reflete uma
insensibilidade grotesca do pensador, uma indiferença equivocada sobre os dilemas sociais daquela sociedade. As mudanças não acontecem pela crença num progresso positivo e natural. A tendência do mundo caído é deteriorar-se naturalmente. Conforme escreveu Kuyper, “Se o homem não tivesse caído no erro, se o egoísmo e o crime não interferissem, o desenvolvimento da sociedade humana sempre seguiria seu curso em paz e de forma ordenada.” Porém, “os seres humanos não se encontram nesse tipo de condição.” É preciso intervir e ser ativo na sociedade quando ela começa a demonstrar sinais de doença, avareza, ambição e desigualdades. Não devemos esperar a melhora se realizar sozinha. Mas como intervir de uma forma correta e cristã?



A intervenção do 3º Estado francês, lamentavelmente - ainda que sofriam injustiças reais - foi movida pelo que Kuyper chamou de “princípios falsos”: “(...) essa intervenção, por ser proveniente de princípios falsos, tenha feito doentio o que poderia ser saudável, envenenando em muitos aspectos nossa relação mútua e trazendo ao nosso meio misérias inomináveis em lugar da felicidade e da honra das nações” . O resultado da intervenção radical e violenta, baseada em princípios tão ambiciosos e orgulhosos quanto os da aristocracia, foi nada além de ilusão. Precisamos intervir nesse mundo caído sim, especificamente na questão social, mas fundamentados em valores e em virtudes. Conforme sabiamente observou o historiador e filósofo político Russell Kirk (1918-1994), “Os homens não podem melhorar uma sociedade ateando fogo a ela: precisam buscar suas antigas virtudes e trazê-las de volta à luz.”



Somos chamados por Deus para sermos “sal e luz” (Mt 5.13-14) na sociedade, especialmente quando ela é tomada pelas trevas da imoralidade, da indiferença, da ganância e do orgulho. A ordenação divina quer assim e devemos nos ocupar disso, de alguma forma. A forma cristã, contudo, é muito específica na resolução de conflitos sociais; não se pode compará-la às propostas materialistas e igualmente gananciosas dos socialistas, nem ao liberalismo racionalista e nem mesmo a manutenção quietista de um conservadorismo cético. “Todas elas” escreve Dr. Lucas Grassi, “começam pela raiz errada e propõem falsas respostas à questão social.”



A resposta cristã à questão social é pautada num compromisso com o Reino de Cristo. Kuyper, em seu discurso de 1891 sobre a questão social, diz que a Igreja Cristã pode influenciar as mudanças políticas de uma sociedade de forma tripla: Ministério da Palavra; Ministério da Misericórdia; e a Igualdade de Fraternidade. Em primeiro lugar, a Palavra luta contra as ambições pelo dinheiro de modo bilateral, entre ricos e pobres, apresentando o verdadeiro tesouro do homem, a salvação em Cristo. Em segundo lugar, a Misericórdia atua na comunhão dos bens e no serviço em amor dos cristãos em prol dos carentes e aflitos, como bons mordomos daquilo que receberam de Deus – suas casas, propriedades e riquezas. Por fim, a Igualdade da Fraternidade é a abolição de demarcações artificiais entre os homens. Todos, pobres ou ricos, devem se reunir numa mesma mesa. Assim, analisamos as revoluções e demais movimentações políticas do passado e de nosso tempo e apresentamos, como cristãos, uma forma ortodoxa e prática - uma solução verdadeira - pautada em valores e virtudes do Reino.



Fonte: Jornal o Regional
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