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O Cristão e a Ecologia: uma teologia do Jardim de Deus:

Para relacionar adequadamente o Cristão com a Ecologia precisamos primeiro definir os conceitos, pois são eles que condicionarão nossa maneira de ler as demais circunstâncias. Em seguida, precisamos compreender onde e como o Cristão e a Ecologia se relacionam. Por fim, analisar os problemas existentes nessa relação, para então propor uma solução razoável.



Em primeiro lugar, na concepção do biólogo naturalista Ernst Haeckel (1834-1919) - o primeiro a usar o termo Ecologia - a ecologia é “(...) toda ciência das relações do organismo com o meio ambiente, incluindo, no sentido amplo, todas as ‘condições de existência’”. Nesse sentido, a Ecologia é um ramo da Biologia que estuda cientificamente as interações que determinam a distribuição e a abundância de organismos. Essa definição, porém, é considerada por Wayne Rossiter, professor de Ciências Naturais e Sociais, como “muito restritiva”. Para Rossiter, “(...) uma definição de ecologia mais básica é o estudo de organismos e suas interações com o ambiente biótico e abiótico.” Todo o cosmos está relacionado na vida orgânica, não só a realidade biótica, mas também a abiótica.



Com essa definição, pode-se argumentar que a Ecologia liga quase todos os aspectos da Biologia ao nível do organismo e suas interações relevantes. Nessa conceitualização, o Cristão é inserido como um ser orgânico e participativo da vida biológica. O Cristão à luz da Biologia também é um indivíduo que possui organismo vivo, é controlado pelas leis da natureza e portanto faz parte das interações que a Ecologia se propõe a estudar. O Cristão é um ser humano, com as mesmas estruturas fisiológicas e biológicas de qualquer outro ser humano. Mas, diferente da concepção naturalista, o Cristão se vê e vê tudo ao seu redor não como acidentes do acaso ou resultantes de um processo evolutivo naturalista.



Para o Cristão foi “Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra [...] pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.” (Atos 17.24-25). Sendo assim, o Cristão entende que a natureza, a realidade biótica e abiótica, a diversidade de organismos e ele mesmo não podem ser compreendidos ecologicamente de forma adequada por uma iniciativa científica amoral, sem nenhum princípio de valor ou finalidade. Pelo contrário, como João Calvino (1509-1564) argumentou, “todas as criaturas estão sujeitas à sua vontade e executam o que ele [Deus] lhes prescreveu.” Portanto, para o Cristão, os objetos de estudo da Ecologia possuem propósitos morais e servem à uma finalidade divina. Aliás, é somente por meio dessa visão cristã que o estudo Ecológico desses elementos tem valor, sentido e dignidade.



Como escreveu o teólogo calvinista Jonathan Edwards (1703-1758), “(...) a glória de Deus é o fim supremo da criação.” Desta forma, não se pode falar em Ecologia do ponto de vista do Cristão sem levar em consideração que a criação, as leis da natureza, a ordem e o funcionamento dos organismos são todos criados por Deus, sustentados por Ele e apontam para Sua glória, poder e sabedoria. É aqui que os filhos do Deus Criador, por intermédio do sacrifício de Jesus Cristo, se relacionam diretamente com as ocupações da Ecologia.



Indo além, na visão cristã de mundo - o que chamamos de cosmovisão cristã - entende-se que a história do cosmos é corretamente compreendida tendo em vista os três pilares bíblicos. Primeiro a Criação, em estado perfeito e puro no princípio; em segundo a Queda, decorrente da desobediência dos primeiros pais e suas consequências no mundo e no ser humano; e em terceiro lugar a Redenção, a salvação e restauração dos eleitos de Deus e Sua criação em Cristo Jesus. Devido à entrada do pecado no mundo, a relação do ser humano caído com a Natureza se encontra em estado de confusão. Os exemplos mais claros disso são os crimes ambientais contra a fauna, a flora, a poluição e outros abusos. Isso acontece devido a rebelião no coração do homem contra o mandato cultural incial de Deus de “cultivar e guardar” (Gn 2.15) a criação. Comentando esta passagem, João Calvino escreveu: “(...) a custódia do jardim fora dada ao encargo de Adão, para mostrar que possuímos as coisas que Deus entregou às nossas mãos sob a condição de que, vivendo contentes com o uso sóbrio e moderado delas, nos preocupemos em manter aquilo que deve permanecer.”



A razão que leva um não-cristão à ser negligente com esse mandato cultural é óbvia: ele ainda não nasceu de novo por meio de Cristo e não teve os olhos abertos para o seu chamado de zelar pelas graças de Deus, como a Natureza. Mas, muitas vezes, o próprio Cristão também se relaciona de forma equivocada com a Natureza. A razão é que, fazendo uma separação em sua cosmovisão entre sagrado e secular - o que chamamos de dicotomia -, o Cristão compreende que o que é sagrado é tão somente as coisas que tocam e falam nas questões de culto público e oração, e secular as que não tocam ou falam diretamente disso. E a Ecologia, juntamente com a Natureza, acabam caindo nesse descrédito por serem consideradas realidades seculares. Isso é um erro teológico, pois é nas Escrituras que entendemos que há um chamado divino para conhecermos melhor a criação - seja através da Ecologia - e participarmos de uma ação conservadora e moderadora dela - um ambientalismo cristão.



Quando estudamos antropologia bíblica, aprendemos que um dos aspectos da existência do ser humano é ser ele um homem dependente. Devido à nossa personalidade, somos criaturas dependentes de um mundo comum. Foi da vontade de Deus estabelecer leis normativas que ditam nossa sobrevivência. Por exemplo: foi Deus que estabeleceu que para o nosso sangue bombear e realizar o ciclo cardíaco, o coração precisa existir e funcionar, mas, para isso, que também haja oxigênio que garanta a respiração aeróbica. Sabemos que o oxigênio utilizado na respiração é de importância fundamental para os processos vitais do nosso planeta. As algas e as plantas também absorvem oxigênio na respiração, mas, pela fotossíntese, e liberam esse gás, possibilitando a sua renovação contínua no ambiente em que vivemos. Sem o cuidado - o mandato cultural em Gênesis desses elementos - estaremos lutando contra a ordem e as condições que Deus estabeleceu como necessárias para nossa existência.



O meio ambiente é um bem fundamental à existência humana e, como tal, deve ser assegurado e protegido para uso de todos. O filósofo e teólogo Francis Schaeffer (1912-1984), autor de Poluição e a Morte do Homem - texto que aplica a cosmovisão cristã aos problemas ecológicos - escreveu certa vez que “(...) por sermos criaturas dependentes, temos que tratar as árvores, os animais e o ar de forma adequada. Acredito que este seja o fundamento cristão da ecologia.” Como cristãos, precisamos resgatar uma visão bíblica e integral da realidade, onde a Natureza não se separa da Graça, onde a ciência não é lançada na periferia da vida espiritual, permitindo assim um engajamento Cristão também na área ecológica e ambiental, levando todos os aspectos da realidade ao senhorio de Jesus Cristo.



Fonte: Jornal o Regional
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