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Roberto Alvim, Conservadorismo e Arte:

Na manhã da sexta-feira (17), o ex-secretário especial da Cultura do Governo de Jair Bolsonaro — Roberto Alvim —, após vídeo publicado contendo seu pronunciamento oficial sobre as perspectivas do governo sobre a Arte e a Cultura em geral, foi exonerado de seu cargo. O motivo é a semelhança de seu discurso com uma fala de um antigo ministro Nazista. Segundo Bolsonaro, a situação se tornou insustentável, justificando a rápida exoneração de Alvim.



O embaraçoso e preocupante pronunciamento foi aberto com um fundo musical sugestivo: ópera de Richard Wagner (1813-1883) [compositor amado por Hitler]. No decorrer do pronunciamento, Alvim proferiu a seguinte frase: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.”



A frase logo lembrou outra famosa fala; esta do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels (1897-1945): “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada” [disse Goebbels em pronunciamento para diretores de teatro, de acordo com o livro “Goebbels: a Biography”, de Peter Longerich.]



Apesar de algumas diferenças cruciais nas falas, a situação, obviamente, resultou numa relação imediata — a qual o governo Bolsonaro já há muito enfrenta — entre Nazismo e Conservadorismo político por parte da imprensa brasileira.As questões que dizem respeito aos reais responsáveis pelo desastroso discurso de Alvim e as possíveis sabotagens de sua própria assessoria eu deixo, por hora, em aberto (apesar de Alvim declarar estar de acordo com a frase de Goebbels em entrevista para o Estado). Contudo, acredito ser necessário um pouco mais de tempo para julgar, por exemplo, se o ex-ministro “já foi tarde”.



Por hora, visto que o governo atual se auto-intitula conservador, preocupa-me apenas a preservação da correta concepção conservadora sobre Arte, Beleza e o papel do Estado na produção da Cultura — concepção que parece ter sido maculada com essa infeliz declaração de Alvim. Para tanto, creio ser necessário me apoiar naquele que merece todo apreço como representante do verdadeiro conservadorismo político e filosófico, Sir Roger Scruton (1944-2020).No dia 12 de janeiro, o maior nome conservador do séc. XXI, Roger Scruton, faleceu vítima de câncer. Scruton deixou um legado enorme; mais de 50 livros publicados, dos quais muitos me livraram da enchurrada de falácias esquerdistas sobre história, política e religião. Obrigado, Scruton!



Scruton era, entre muitas coisas, especialista em estética. Ele é o autor do documentário “Why beauty matters?” [Por quê a beleza importa?], e escritor do livro “Beleza”, onde escreve sobre os comuns questionamentos sobre Arte e o Belo numa perspetiva tradicional e conservadora.Baseado em Scruton, como podemos responder a frase em específico da declaração de Roberto Alvim, distinguindo Conservadorismo político da abjeta ideologia totalitária Nazista?



Estado e Cultura
Dentro da filosofia Conservadora, a forma como o Estado deve se posicionar na Arte e Cultura é parecida com as tradições dos ideais liberais.Nesses ideais, os conservadores, como Scruton, entendem que o papel da máquina pública em relação a produção cultural é muito mais negativa do que positiva; isso quer dizer que o Estado deve se estruturar de modo aser capaz de preservar a base das manifestações culturais: liberdade de expressão. O Estado não deve se posicionar como juiz da Arte, e senhor da Cultura. O Estado não deve ter função promotora de Cultura. Isso certamente foge à sua esfera de atuação, e consequentemente, toma-se uma face totalitária. Não é o caso de admitir aqui o mito da neutralidade; mas sim de abraçar a atuação negativa.



Populismo e Arte
Roger Scruton em seu ensaio Representation and the People – on the relationship between government and the governed [Representação e o Povo - sobre a relação entre governo e governado] escreveu que as características de um populista é ser um político que apela “diretamente ao povo quando deveriam recorrer ao processo político [i.e., institucional] e que estão preparados para deixar de lado procedimentos e cuidados legais quando a maré da opinião pública está a seu favor.” Alvim, ao falar que a nova era da Arte “será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo” usa de populismo revolucionário como justificativa de atuação estatal na Cultura. Alvim sabe que a Direita está ao seu favor, contudo deveria se lembrar que o povo, no passado, preferiu políticos Revolucionários e corruptos. O estadista conservador deveria se atentar para a importância da objetividade das aspirações, e não de sua favorável circunstância.
Nacionalismo e Arte



“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional.”, disse Alvim. Certamente, a Arte, como defende Scruton, vinculada a um profundo senso moral de Verdade, Bondade e Beleza, não pode ser “nacional” no sentido de ser restrita à um corpo regional do cosmos. A medida da Arte não está arraigada em regionalidades, mas em qualidade de expressão do verdadeiro, bom e belo. O Estado é uma, das várias esferas numa sociedade. Imagine quão limitada é a visão de um, comparada com a visão de mil? Por isso Scruton escreveu que “abordar objetos naturais com expectativas semelhantes nada mais é do que interpretá-los de maneira equivocada. Além disso, fazê-lo é também ignorar a verdadeira fonte de sua beleza, isto é, sua independência, seu isolamento, sua capacidade de mostrar que o mundo não se resume a nós e que há nele coisas tão interessantes quanto nós.” (Scruton, 2013, p. 77) . Em contrapartida, a Arte e seus reais valores também não são internacionais. Tanto a “Arte nacional” como a “Arte internacional”acabam relativizandoo juízo de valor da Cultura à esfera política. A Arte é transcendental.



Arte e Ideologia
“... ou então não será nada.” Esta foi a conclusão da paráfrase Nazista de Alvim. Essa declaração de condição política à Arte é preocupante. O que quer dizer que não será nada? Será que antes dos jacobinos e girondinos não havia Arte? Não havia Arte antes do nascimento da Direita política? Será que o futuro da Arte está nas mãos de um Estado tão capenga como o brasileiro? Quanta pretensão ideológica. Fico mais uma vez com Scruton - um legítimo conservador - que falando sobre a relação da Arte com Ideologia escreveu: “A ‘Ideologia’ é adotada em virtude de sua utilidade social e política, e não por sua verdade. Mostrar que determinado conceito - o sagrado, a justiça, a beleza, o que for - é ideológico é solapar suas pretensões à objetividade, é sugerir que não há nenhuma sacralidade, justiça ou beleza, mas somente uma crença em cada um desses elementos- uma crença que nasce sob determinadas relações sociais e econômicas [...]” (Scruton, 2013, p. 72) . Em outras palavras, submeter a validade da produção artística à mero poder político temporal é tornar a arte relativa. E para os conservadores, certamente a Arte não está voltada para o que é relativo, mas objetivo: “[...] a beleza é um valor supremo que buscamos por si só, sem ser necessário fornecemos motivo ulterior.” (Scruton, 2013, p. 12) .



Fonte: Jornal O Regional
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