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Os Meninos de Belém:

“Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara os magos.” – Evangelho de São Mateus, 2.16



Já perdi as contas de quantas vezes li o evangelho de São Mateus, mas a cada leitura existe algo de novo a ser compreendido. O grande historiador da filosofia Frederick C. Copleston confessou certa vez ao filósofo cristão William Lane Craig que, em seu estudo da história do pensamento, descobriu o fato de que as formas de pensamento estão confinadas às respectivas épocas. Isso não faz de Copleston um relativista, mas apenas alguém que compreendeu que a nossa experiência com a verdade varia de acordo com nossa maturidade intelectual e as experiências existenciais que passamos.



Com base nas minhas experiências com o caos humano,a primeira coisa que fui levado aperceber na passagem bíblica acima citada, foi o fato de que um rei – enfurecido por ter sido ludibriado – decidiu friamente punir uma comunidade inteira assassinando todos os meninos de Belém (Palestina), de dois anos para baixo. Isso é simplesmente terrível! Macabro! Pense com cuidado do que estamos falando aqui.



Se imagine por um segundo acompanhando a história de um possível jovem casal judeu, da cidade de Belém, que por muito tempo tentaram ter um filho, mas não conseguiam. Ajoelhavam-se e oravam todos os dias, suplicando a Deus por um filho que pudesse trazer alegria e renovo naquela casa, realizando o sonho da jovem moça de ser mãe e do jovem rapaz de ser pai. Foram tantas tentativas e orações que enfim, a jovem judia engravidou!



Após longos meses de espera, economia e orações, o lindo garoto nasceu! O pai, orgulhoso e cheio de alegria, passeava com o garoto no colo pelas ruas de terra de Belém mostrando ao filho os pássaros que cantavam pela manhã. A jovem mãe, com muito cuidado amamentava o menino e limpava suas roupinhas com esmero e estonteante gratidão ao Senhor. Todas as noites, antes de dormir, o casal rendia graças ao Senhor em volta do bebê que repousava como um anjinho em meio ao calor afetivo dos pais.



Até que certo dia, sem mais nem menos, seu filho já com um ano de idade foi capturado por invasores – funcionários do rei Herodes – que assassinaram a facadas o jovem pai para pegar o bebê, levando-o para ser ceifado por algum carrasco do governo tirânico, enquanto a mãe em desespero abraçava o corpo ensanguentado do marido, “simultaneamente” gritando por socorro e clamando por um milagre. Porém, nenhum milagre aconteceu. Seu marido? Morto. Seu bebê? Decepado. Sua vida? Destruída. Desolada. Aliás, há palavras pra expressar o caos na vida de uma mulher que passa por isso?



Eu fiquei, caros leitores... fiquei imaginando tudo isso e assustado me perguntei: Por que Deus haveria de permitir tudo isso? É verdade que Jesus é o nosso salvador, e é verdade que muitos sofreram para cumprir as promessas do Senhor (Jr 31.15), mas isso é tão terrível! O que isso quer dizer? Que aquelas crianças eram apenas números? Mas, leitores... enquanto não mudei o foco não pude compreender a lição do texto. Deus não quer aqui mostrar quem ele é, mas quem nos tornamos longe D’Ele e trancafiados em nós mesmos.



O grande segredo não está na profecia sendo cumprida, mas na natureza de Herodes que nos é comum e da qual nascemos fazendo parte: a corrupção natural, a depravação total (da qual Calvinistas defendem enfaticamente, contrário a Pelagianos, Arminianos, Rousseaunianos e Marxistas que creem ingenuamente numa bondade inata no ser humano). Foi quando eu passei a ver em Herodes o exemplo da extensão e capacidade de um coração endurecido e humano fora dos termos de Deus que entendi a lição do texto. Lembrei-me de que Hitler, Stalin, Mao, Lenin... todos eram humanos, por mais difícil que seja de acreditar.



Por mais terrível que pareça, assim como Herodes nós podemos alimentar pecados em nosso coração a tal ponto que não pensaremos no que estamos destruindo. O pecado nos fará tão cegos que a beleza e a sacralidade da vida não mais importará! Nós e nosso ego se tornará o núcleo pelo qual o cosmos deve dobrar os joelhos em adoração e submissão.Veja,Herodes não é nenhum demônio ou um animal anômalo. Na verdade, ele é o exemplo claro do que no tornamos longe de Deus e do que a humanidade é capaz de fazer afastada da graça de Jesus.



É o nítido testemunho histórico de que existe algo de tão terrível dentro de nós, uma capacidade tão intensa de fazer o mal, capaz de, sem dó ou piedade, eliminar toda a alegria, a beleza, as nobres expectativas, os sonhos e sorrisos de um lar maravilhoso, por puro orgulho e egoísmo. Como escreveu o intelectual Jordan Peterson: “Os humanos têm uma grande capacidade para fazer o mal. É um atributo único no mundo da vida. Podemos e deixamos as coisas piores, voluntariamente, com total conhecimento daquilo que estamos fazendo (assim como acidental, descuidada e de uma maneira propositalmente imprudente).” [in 12 Regras para a Vida, p. 56.]



Ler Herodes nesse texto me faz olhar para tudo que há de mais gracioso no mundo - como lindos meninos de Belém - e temer sobre as responsabilidades que tenho em carregar uma natureza caída, ainda que redimida, e sua influência em minhas escolhas e decisões em momentos de ansiedade, medo, angústia, fúria e vanglória (os mesmos sentimentos que fluíam livremente no coração do rei). As consequências podem ser absurdas e incorrigíveis.Tome cuidado consigo mesmo, mortifique-se e suplique a Cristo para ser purificado dessa vil natureza.



Fonte: Jornal O Regional
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