44 3252-1177

contato@oregionaljornal.com.br

Apologética cultural no século XXI:

Se eu apresentar toda a verdade, mas fugir de denunciar os problemas específicos de meu tempo, eu não estaria apresentando o verdadeiro Evangelho de Cristo. Seria como um rei que, sendo atacado por uma porta, manda seus soldados para a outra. Assim pensava Martinho Lutero (1483-1546), o monge agostiniano da modernidade e principal nome da Reforma Protestante.



Sobre a relação do cristão com seu contexto cultural, Lutero escreveu: “Se eu professar, com a mais alta voz e a mais clara exposição, cada porção da verdade de Deus exceto precisamente aquele pequeno ponto que o mundo e o diabo estão no momento atacando, eu não estou confessando a Cristo, não importa o quão corajosamente eu possa estar professando a Cristo. Onde a batalha se trava, ali a lealdade do soldado se prova, e ser firme em todas as outras frentes de batalha e recuar naquele ponto é debandada e desgraça.”



Passam os séculos e novos problemas surgem e, com eles, os desafios à Igreja Cristã aumentam. Como cristão, durante os últimos três ou quatro anos, tenho conversado com alguns amigos não-cristãos e cristãos; tenho lido jornais, livros, matérias, blogs e acompanhado as redes sociais. Meu objetivo é ouvir para entender o mundo do século XXI e assim identificar expressões culturais contemporâneas mais salientes. O missionário e apologista Francis Schaeffer (1912-1984) chamava esse método evangelístico de “Apologética Cultural”.



Schaeffer acreditava que sem esse contato direto com as efervescências atuais, a Igreja Cristã perderia sua relevância. Se quisermos responder adequadamente aos maiores dilemas da atualidade, precisamos aprender a ouvir com atenção e humildade o que o mundo está dizendo (Provérbios 18.13; Tiago 1.19-20). Após ouvir muito, creio que os grandes desafios da cristandade atual na cultura estejam relacionados às questões de sexualidade e identidade. Estou convencido que, dentre as muitas ocupações do homem contemporâneo na cultura, essas duas se destacam pela força, popularidade e credibilidade que conquistaram.



Os movimentos que incorporam essas ocupações como sendo sua bandeira de existência social e ativismo político de forma devota são os movimentos feministas e homossexuais. Por meio da hegemonia desses movimentos na atualidade, vivemos a era das questões de gênero, sexo e sexualidade. Essas questões ocupam o núcleo de frenesi social em várias áreas da sociedade: escolas, famílias, empresas, universidades, política e religião. Onde quer que estejamos, esses temas surgem como os mais relevantes nesse momento. Como escreveu o Rev. Pedro Dulci em seu livro Identidade e Sexualidade, “Essa é a configuração de nossos dias e a complexificação da maneira de pensar sobre esses temas que tangenciam todos nós cotidianamente.”



Essas são questões que desafiam diretamente doutrinas basilares da fé cristã, como a ordem criacional da família, a identidade bíblica e o uso do corpo para glória de Deus. Contudo, a maioria dos cristãos em seu evangelismo contemporâneo, gastam mais tempo e energia falando, por exemplo, sobre pobreza e ações sociais - o que são preocupações legítimas - como meio de fugir do confronto com as questões mais espinhosas e cruciais que, como disse Lutero, “o mundo e o diabo estão atacando no momento”.



A nossa participação como cristãos bíblicos e amorosos nessas questões de sexualidade e identidade é muito pequena. Ficamos acuados e amedrontados, preocupados com as críticas e com a cultura do cancelamento. Como escreveu o teólogo David Platt em Contracultura, “(...) em questões polêmicas, como a homossexualidade e o aborto, pelas quais nós cristãos, costumamos ser criticados, contentamo-nos em ficar mudos e de braços cruzados.” Essa inércia ou seletividade dos cristãos - motivada por medo e preocupação - para abordar as questões mais salientes da cultura, porém, não faz sentido à luz da própria fé cristã.



Os cristãos devem se lembrar que eles têm apenas um Senhor e devem temor apenas à Ele: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.” (Mt 10.28). Cristãos que são movidos por essa idolatria da alterreferência e pelo desejo por tranquilidade, decidem no fim das contas “quais questões sociais confrontar e quais tolerar. E as escolhas que fazemos geralmente são as mais cômodas - e menos custosas - para nós em nossa cultura”, finaliza Platt. Daí o amor pela aprovação dos homens mais que o desejo de ser encontrado aprovado por Deus. É “o amor por aprovação” escreve Lou Priolo no livro Desejo de agradar outros, que “(...) tentará aquele que vive para agradar aos outros a ser tímido ao compartilhar sua fé.”



Com verdade e com amor (Efésios 4.15), usando o método de apologética cultural, deveríamos corajosamente compartilhar a fé cristã como uma antítese consistente e racional para todas essas questões mais salientes e polêmicas do século XXI. Todavia, jamais deveríamos nos esconder, calar, nos tornar tímidos ou usar outros problemas que são de acordo comum na sociedade para fugir dos problemas mais cruciais, pois “Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2 Timóteo 1.7).



Fonte: Jornal o Regional
Mais Notícias:
  • 22/09/2020 - Zezão, de saqueIro à empresário pela faculdade da ...
  • 22/09/2020 - Juntos pela EducAÇÃO Atalaia tem a 3ª melhor avali...
  • 22/09/2020 - Escola Municipal Professor Flávio Sarrão atingiu ...
  • 22/09/2020 - Educação Municipal de Santa Inês também é destaque...
  • 22/09/2020 - Saudade: entre a brevidade e a oikophilia
  • 22/09/2020 - Tradicional Bar do Leonildo, fundado em 1976, ence...
  • 22/09/2020 - Começaram as castrações gratuitas em Flórida
  • 22/09/2020 - Hospital Psiquiátrico de Maringá inaugura Serviço ...
  • 22/09/2020 - Deputados aprovam em 1ª discussão PL para incluir ...
  • 22/09/2020 - TST julga dissídio coletivo e determina encerrame...
  • 22/09/2020 - Testemunhas de Jeová manifestam gratidão aos profi...
  • 22/09/2020 - Rotary Club de Itaguajé promove plantio de mudas d...
  • 15/09/2020 - Segurança Nacional/Base Náutica Trarbach no Porto ...
  • 15/09/2020 - Hospital mantido por Itaipu ativa novos leitos de ...
  • 15/09/2020 - A Lei: um conselho para os nossos vereadores
  • 15/09/2020 - E agora. Posso divulgar meu número? NÃO.
  • 15/09/2020 - Segurança Nacional/Base Náutica Trarbach no Porto ...
  • 15/09/2020 - Nutrimental e Podium homenageiam servidores e médi...
  • 15/09/2020 - Vários fatores provocaram a alta de preços dos p...
  • 15/09/2020 - PF em Paranavaí vai combater tráfico de armas e dr...
  • 08/09/2020 - História de Sucesso: Agricultor produz mais de 80 ...
  • 08/09/2020 - Trata-se de um evento interdenominacional para t...
  • 08/09/2020 - Em setembro se comemora o Dia Mundial da Lígua de...
  • 08/09/2020 - Nova Esperança finalmente coloca fim nas pedras ir...
  • 08/09/2020 - William Ames (1576-1633), o “Doutor Erudito”
  • 08/09/2020 - Marcela Reguine de Inajá, sinônimo de “Superação
  • 08/09/2020 - O que fazer até dia 27 de Setembro?
  • 08/09/2020 - Com autorização do Judiciário, Prefeitura de Paran...
  • 08/09/2020 - Gaúcha de 27 anos é a vencedora do concurso
  • 08/09/2020 - Amazônia vai ganhar primeira biblioteca flutuante...
  • Endereço Rua Lord Lovat, 500 - Centro Nova Esperança-PR | CEP: 87600-000 Fone: (44) 3252-1177
    Desenvolvimento Hnet Sistemas