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Médicos Residentes da Santa Casa de Paranavaí revelam que a pandemia foi importante na formação técnica e pessoal:

Gislaine Erédia confirma que, após a fase de ansiedade e o medo, “houve a adesão de todo o grupo”, o que foi “extremamente importante” para atender os pacientes. “Eles dão plantões noturnos, estão na ‘porta’ (o ambulatório Covid e porta de entrada dos pacientes da pandemia), na UTI Geral, liberando médicos para a UTI Covid, enfim, eles estão integrados ao trabalho”, aponta ela, que junto com os colegas Bruno César Pereira Leal (intensivista), Carlos Alberto Álvares da Silva (pneumologista), Henrique Prince Garcia Martinse Josué FerrazBaena Júnior (emergencistas), lidera os trabalhos na Ala Covid.



RESIDENTES POSITIVARAM



A infectologista revela que, em cinco meses, dois residentes testaram positivo para a Covid. Um dos casos foi de uma mãe, que acabou contaminando a filha de 18 meses. “Uns tiveram que mudar de casa temporariamente para proteger outros membros da família. Foi um grande impacto emocional, mas todos se mostraram parceiros, se abraçaram e se ajudaram”, diz ela, que não esconde o orgulho do comportamento dos residentes, principalmente porque em alguns hospitais médicos largaram a residência. “Os nossos abraçaram a causa, superaram o medo e a ansiedade. Isto é muito legal”, enfatiza.



Erédia aposta que o enfrentamento uma doença contagiosa, desconhecida e de alto risco, fortaleceu os futuros especialistas nas suas profissões, já que a experiência e o estresse emocional que tiveram que ser vencidos, deram-lhes bagagem para o dia a dia da profissão.



DESESPERADOR



Camila Roberta Sala Tsukuda, que faz especialização em Clínica Médica, foi uma das residentes contaminadas com a Covid e que transmitiu o vírus à filha. Ela conta que quando chamada para atuar na ala do coronavírus “o momento foi desesperador” e que teve medo de estar na linha de frente a uma doença que pouco se sabia e que estava matando milhares de pessoas no mundo todo.



Como ainda amamentava, estava no grupo de risco e se afastou da residênciano começo da pandemia, mas logo retornou. Quando se contaminou, procurou se isolar em casa, mas uma semana depois de ter testado positivo, a filha também começou a tossir e confirmou a doença. A pequena ficou apenas com tosse. Já a mãe teve dor no corpo e de cabeça, cansaço e perdeu o olfato e paladar.



Mas assim que se recuperou voltou às atividades em Paranavaí – ela é de Maringá. Hoje ela dá plantão na UTI Geral para liberar o intensivista Bruno Legal para atuar na UTI Covid. O estágio na UTI e a pandemia fizeram Camila reavaliar sua escolha deespecialização. Se antes a Clínica Médica era o pré-requisito para a Nefrologia, hoje está tentada a ter o título de Intensivista.



Na UTI ela sente mais forte a sensação de salvar vias. “São pessoas que as vezes cuidamos por 30 dias e depois por decisões nossas, acertadas, voltam para a família”, explica ela, acrescentando que a experiência de UTI e de pandemia lhe “fortaleceu o sentimento de solidariedade e empatia”.



Crente que a pandemia foi o gatilho que disparou o processo de fortalecimento destes valores, Camila Tsukuda avalia que estes sentimentos não são apenas com os colegas, pacientes e seus parentes. “A gente começa a valorizar a vida fora do hospital também”, reforça, enfatizando que enfrentar “este grande desafio” lhe deu experiência que servirá para a vida toda. “Tive sim um crescimento pessoal com esta pandemia”, admite ela.



O mesmo sentimento é compartilhado pelo colega Carlos Alberto Ferreira Oliveira, residente de Cirurgia Geral. No começo, reconhece ele, houve uma certa frustração por conta da suspensão das cirurgias eletivas, o que impacta diretamente a sua especialização. “Mas depois nos apaixonamos pela causa e estamos firmes neste trabalho””, atesta.



Casado com uma residente de Clínica Médica e morando em Campo Morão, Carlos Oliveira conta que a pandemia atrapalhou alguns de seus planos para este ano, entre os quais o de visitar sua mãe no Acre, seu estado de origem, e trazê-la para conhecer o Paraná, onde quer que ela fixe residência. “Não pudemos ir e a minha mãe acabou contraindo a Covid. A gente que é médico sabe que a doença pode evoluir. Isto nos dava muito medo”, revela.



O futuro cirurgião diz que a pandemia está fazendo médicos reverem protocolos que estavam esquecidos. Lembra que, até por conta do avanço da medicina, os profissionais não seguiam à risca protocolos de chegar em casa e tirar a roupa que estava no hospital. “A gente chegava e ia para o sofá. Agora não”. Analisa que a pandemia também fez médicos, enfermeiros e técnicos a se preocuparem mais um com os outros.



Atualmente, a preocupação de Carlos é com o relaxamento dos protocolos de biossegurança por parte da população. Aponta como exemplo as cirurgias de emergência que eram poucas e está voltando ao normal, porque as pessoas voltaram a circular, andar de carro, moto, frequentar bares. “O número de cirurgias por conta de acidentes de trânsito e ferimentos com arma branca e de fogo está voltando quase aos mesmos níveis e antes da pandemia”, relata. Ele vai além: sempre entre 10 e 15 dias após datas festivas (Dia dos Pais, das Mães dos Namorados etc) cresce o número de pessoas contaminadas. “Estão desprezando as medidas de segurança”.



Oliveira avalia que o clima no hospital entre os residentes atualmente é menos tenso, porque os médicos preceptores têm repassado informação e conhecimento sobre a pandemia. “Eles não nos deixam sozinhos”, declara para em seguida lembrar que, apesar disso “não é hora de baixar a guarda ainda”.



O futuro cirurgião diz reconhecer que as medidas de segurança impactam a economia, “mas a vida vem em primeiro lugar” e que as medidas de biossegurança são mais baratas do que o tratamento do paciente da Covid.



Fonte: Jornal o Regional
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