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John Bunyan (1628-1688) e o “fardo pesado” do Peregrino:

Cristão chega à cruz. Cai-lhe o fardo dos ombros, é justificado, e recebe um vestuário e um diploma de adoção na família de Deus." 


 


John Bunyan nasceu no ano de 1628, em Eslow, Bedford, na Inglaterra central. Seus pais eram pessoas de poucos recursos e ainda com pouca idade Bunyan começou a ser treinado no ofício de seu pai como metalúrgico. Todavia, como muitas pessoas que viviam na Inglaterra de 1640, o jovem Bunyan se viu arrastado pelos eventos durante a Guerra Civil Inglesa. Aos dezesseis anos alistou-se na tropa Parlamentarista em sua luta contra as forças de Charles I, e como está esboçado nos registros históricos de seu serviço militar, mais tarde ele descreveria um episódio no qual escapou por pouco de ser morto. Após a baixa das armas, Bunyan voltou para a sua região e reassumiu o trabalho de seu pai. Ali, Bunyan casou-se e constituiu uma família.



John Bunyan, como homem religioso, enfrentava em sua mente várias aflições e dúvidas; vivia inquieto e se sentia culpado por transgredir os mandamentos de Deus. Bunyan creditava à Martinho Lutero (1483-1546) a orientação que o levou a finalmente ter paz no coração e refrigério na alma. Certa feita, Bunyan leu os comentários de Lutero sobre a Epístola de Paulo aos Gálatas, explicando as relações entre a Lei e a Graça, e de como os eleitos recebem a liberdade do fardo pesado da culpa e do castigo eterno quando depositam fé verdadeira em Jesus Cristo. Nesta leitura, John Bunyan pôde adquirir sua liberdade da culpa que o perseguia por anos, afligindo sua consciência, chegando a salvação.



Em 1655 ele se ligou a Igreja Protestante de Bedford, e dotado de certa habilidade oral começou a pregar, embora, como escreveu Richard Greaves, ele “(...) via a si mesmo como indigno da tarefa, e mostrava assombro que suas pregações produzissem resultados.” Bunyan era um dissidente, ou seja, ele não simpatizava com a Igreja Inglesa e nem assinou Os Trinta e Nove Artigos, os padrões doutrinários do Anglicanismo de Henrique VIII. Em 1660, Charles II voltou ao trono inglês e assim repeliu vigorosamente as ideias Puritanas. Os dissidentes que antes estavam em ascensão foram rebaixados, tiveram suas atividades religiosas limitadas e algumas até proibidas.



John Bunyan não cedeu às ordens e foi preso por pregar sem autorização em sua Bedforshire natal. As autoridades deixaram claro a Bunyan que sua prisão seria questão de tempo se ele abandonasse sua pregação dissidente e adotasse as práticas anglicanas, mas Bunyan recusou-se e, uma prisão que seria de poucos dias transformam-se em longos doze anos. Sua primeira esposa faleceu em 1656, deixando-o com quatro filhos ainda pequenos. Em 1659 casou-se novamente.


 


Elizabeth era o nome de sua segunda esposa. Pouco tempo após o enlace, Bunyan foi preso novamente. Separado de sua família e privado de pregar, Bunyan teve que fabricar cordões de sapatos para sustentar sua esposa e uma filha que nasceu cega.



Bunyan aproveitou seu tempo encarcerado para escrever. Na prisão ele escreveu alguns livros famosos como Graça Abundante para o Principal dos Pecadores e o clássico O Peregrino, além de sua autobiografia. Seu último trabalho como escritor foi exatamente O Peregrino e A Peregrina, que juntos formam um só livro publicado apenas em 1678, após sua segunda prisão - essa de curto período. A fama de O Peregrino continua há mais de três séculos como uma das mais influentes e populares obras literárias dos Puritanos.



Na história, Bunyan retrata a si mesmo num jovem peregrino chamado Cristão que era atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado (culpa) que carregava nas costas. Esse jovem iniciou sua jornada rumo à liberdade prometida, por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista. Após iniciar sua aventura, Cristão teve sua experiência de libertação ao chegar na Cruz de Jesus, que rompeu as fortes amarras do fardo pesado de suas costas já encarquilhadas.



Bunyan escreveu sobre esse momento: “Vi Cristão marchando por uma estrada que, de ambos os lados, era protegida por duas muralhas, chamadas Salvação (Isaías 26.1). É certo que ia caminhando com muita dificuldade, por causa do fardo que levava às costas, mas o seu passo era rápido e seguro; vi-o chegar a um pequeno monte onde se erguia uma cruz, junto à qual, e um pouco mais abaixo, estava uma sepultura. Ao chegar à cruz, soltou-se-lhe o fardo, instantaneamente, de sobre os ombros, e, rolando, foi cair na sepultura, donde não tornará jamais a sair. Quão aliviado e jubiloso ficou Cristão! Bendito seja Aquele que, com os seus sofrimentos, me deu descanso, e com a sua morte me deu a vida!”.



John Bunyan foi considerado um Puritano devido à sua inconformidade com a liturgia católica do século XVII ainda remanescentes na Igreja Anglicana. Bunyan também dava grande ênfase na doutrina da autoridade única e absoluta da Bíblia, na pureza de corpo e de alma e nas demais ideias em conformidade com os padrões Puritanos do século XVII. Um fato curioso ainda sobre a segunda prisão de Bunyan que durou apenas por três meses, é que quando o Juiz Keeling ameaçou Bunyan de que se não voltasse a participar dos cultos da Igreja Anglicana e se não parasse de pregar o evangelho seria banido do reino e enforcado, Bunyan ousadamente respondeu: “Se eu saísse hoje da prisão, pregaria amanhã como auxílio de Deus!”. John Bunyan foi posto em liberdade após cumprir a segunda pena e saiu a pregar em Bedford, em Londres - como havia dito que faria - e em outras cidades. Sua última viagem foi feita para apaziguar um pai e um filho que se achavam brigados. Nesta viagem, Bunyan adquiriu um forte resfriado levando-o à morte.



Fonte: Jornal o Regional
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