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Futuro não, presente!:

Para quem olha de fora, a religião evangélica não parece valorizar muito a criança. Não temos um Dia de São Cosme e Damião, onde distribuir doces a crianças é um ato de piedade religiosa. Enquanto católicos fazem festas de batismo de seus filhos, com direito a padrinhos e almoço comemorativo, o protestantismo parece contentar-se com uma simples oração de consagração. A criança nunca ocupa o centro da vida eclesial.



Seria o evangelicalismo uma religião apenas para os adultos? Certamente que não. Do ponto de vista histórico, é o oposto. Os ramos mais históricos do protestantismo, como os presbiterianos, luteranos, anglicanos e metodistas, sempre reconheceram a criança como sendo parte do povo de Deus desde o seu nascimento. Ao contrário dos católicos, que batizam para salvar os seus filhos, o protestantismo histórico reconhece a bênção de Deus sobre os filhos dos fiéis desde o nascimento. Batizamos nossos bebês não para salvá-los, mas como o reconhecimento público de que elas são recebidas por Deus em seu Reino. Nossos filhos não herdam apenas nossos bens materiais, mas também o nosso legado espiritual: nossa fé e nossa aliança com Deus, por meio de Jesus Cristo.



Por que, então, a maioria dos evangélicos não batiza suas crianças? Por causa da influência dos batistas sobre os maiores segmentos do evangelicalismo: as igrejas pentecostais e neopentecostais. Nessas igrejas, a fé é mais individual do que corporativa. Cabe a cada indivíduo, uma vez atingida certa idade ou maturidade intelectual, fazer a sua escolha religiosa. Apenas aí se teria um cristão(ã) de verdade.



Esse individualismo traz uma consequência indesejável: na visão batista, as crianças não são parte da Igreja do presente. Elas são “o futuro da Igreja”. Em se tratando de História, é um entendimento moderno e minoritário. Desde o Antigo Testamento, as crianças sempre foram incluídas nas alianças celebradas entre Deus e o seu povo. Basta lembrar-se da história de Abraão. No Novo Testamento, em textos usados para condenar o aborto, João Batista e Jesus já são cheios do Espírito Santo nos ventres de suas mães. O Menino Jesus não é apenas adorado, Ele conversa com os doutores da Lei. Já crescido, Jesus afirma que o reino de Deus pertence às crianças, e as coloca como modelo de fé para os adultos! Por 1500 anos, até o surgimento do movimento anabatista, o consenso histórico sempre foi o do batismo infantil. As crianças são parte do povo de Deus.



Como reformado que sou, um seguidor do reformador João Calvino, discordo dessa visão individualista. A fé não é um empreendimento meramente individual, mas comunitário. É assim com o cristianismo, mas também no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo e até nas religiões afro-brasileiras. Em todos esses segmentos, a fé é passada de geração em geração, por meio de histórias, rituais e textos. Crianças são consagradas pelos seus pais e celebradas pela comunidade. Ainda que a vivência religiosa plena só seja atingida com a maioridade, elas são membros completos de suas comunidades de fé.



Penso que o Brasil também precisa dessa visão mais comunitária. Isso significa valorizar as nossas crianças. Elas não são futuras contribuintes ou eleitores. São brasileiras no sentido completo do termo, sujeitas de direitos e dignas de receberem atenção e protagonismo. Que nessas eleições, elas não sejam ignoradas por nós, mas que votemos em candidatos e propostas que protejam e valorizem esse segmento tão alegre e vital do nosso Brasil.



Fonte: Jornal o Regional
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