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A Primeira Tese:

No último sábado, 31 de outubro, uma grande parte das igrejas cristãs ao redor de todo o mundo comemoraram os 503 anos da Reforma Protestante. A Reforma, que teve seus desdobramentos para além da área religiosa, afetando toda uma estrutura social e política do século XVI até os dias de hoje, começou com a coragem e o zelo espiritual de um padre alemão, chamado Martinho Lutero (1483-1546). Um bom livro para compreender o contexto do tema é “História da Reforma”, de Carter Lindberg, publicado pela Ed. Thomas Nelson Brasil.



Lutero, monge agostiniano e professor de teologia na Universidade de Wittenberg, depois de se debruçar por muito tempo sobre as Sagradas Escrituras, comparando-as com os rumos doutrinários e práticos que a Igreja Católica Apostólica Romana havia tomado, inconformou-se profundamente e ascendido em zelo contra a manipulação eclesiástica dos textos sagrados e dos abusos financeiros por parte do clero, protestou propondo uma reforma radical: a volta da Santa Igreja à simplicidade do ensino bíblico.



O maior símbolo de seu protesto foi, sem dúvida, a publicação de suas 95 Teses em 31 de outubro de 1517, quando afixou o polêmico documento na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. O documento foi recebido como um convite aberto a uma disputa escolástica sobre elas. As teses foram enviadas para o arcebispo de Mainz, Alberto de Brandemburgo (1490-1545) no mesmo dia. A intenção de Lutero era levantar um debate para que reformas dentro da Igreja acontecessem.



A partir de então, as ideias de Lutero espalharam-se pela Europa com muita rapidez, muito por conta da imprensa criada em 1430 por Johann Gutenberg que permitia a cópia e a impressão de livros em uma velocidade inédita para a época. É importante lembrar que nesse momento, a intenção de Lutero não era romper com a Igreja Católica, mas apenas que se realizasse uma reforma em determinadas questões, o que não ocorreu.



A Primeira Tese - muito pouco mencionada no Dia da Reforma - talvez seja a mais necessária para os nossos dias. Recuperá-la em nossa prática cristã fará muita diferença. Por ser o pilar ou a pedra de onde Lutero começa a construir todo o seu argumento, trata-se de um assunto elementar para todo protestante. Lutero tocou em uma doutrina que, na época, se encontrava morta pela “mecanização” da religião, e que em nossos dias foi substituída pelas teorias terapêuticas. Trata-se da Doutrina do Arrependimento.



Assim está registrada a Primeira das 95 Teses: “Ao dizer: ‘Arrependei-vos’, etc. (Mateus 4:17), o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse arrependimento”. Na sua primeira tese, Lutero desenvolveu a ideia de arrependimento do cristão em uma luta interna contra o pecado, ao invés de um sistema externo de confissão sacramental, assim chamado por Martin Brecht, historiador da Igreja e professor emérito da Universidade de Münster. O sistema externo de confissão sacramental ou simplesmente Sacramento da Penitência era (e ainda o é na ICAR) um sacramento que envolve o perdão de pecados perante um padre em um momento especial que, no momento da confissão, atua em nome de Cristo. Em seguida, ocorre o recebimento do perdão divino das faltas confessadas e de uma penitência.



O problema da Confissão Sacramental - como denunciou Lutero e outros reformadores - é que o pecador passou a se arrepender de seus pecados e crer no perdão em Jesus Cristo apenas quando estava diante de um padre ou de um bispo em um confessionário: um momento mecanizado que deveria ser espontâneo. O arrependimento diário e pessoal, a súplica e o quebrantamento individual que faz parte da vida cristã foi substituído por “momentos de arrependimento” e o perdão foi retido até que outra missa ocorresse ou outra confissão fosse realizada.



Os cristãos da época foram levados a crer que poderiam pecar em paz durante a semana e guardar a contrição, o quebrantamento e as lágrimas para o domingo na Santa Missa. Contudo, Lutero defendeu corretamente que a essência da fé cristã é a diária e constante mudança de atitude, a busca constante pelo arrependimento das antigas práticas rumo à comunhão com Deus, confessando os pecados, crendo na absolvição pelo sangue de Cristo - e apenas por meio de Cristo - e andando em Seus retos caminhos, adorando a Deus em todo lugar.



É preciso que recuperamos essa doutrina, que levemos o arrependimento a sério em todos os momentos de nossa vida e não somente quando vamos à Igreja ou quando estamos diante de um ministro de Cristo. Devemos lamentar pelos nossos pecados com sinceridade, com frequência e com um coração envolvido em amor e tristeza.



Como escreveu o puritano e autor de “A Doutrina do Arrependimento” Thomas Watson (1620-1686), “Onde há amor a Deus, há um lamentar-se pelos nossos pecados de dureza contra Ele. Um filho que ama o seu pai não pode senão chorar por ofendê-lo. O coração que arde em amor derrama-se em lágrimas. Oh! Como eu poderia abusar do amor de um Salvador tão precioso?! Não sofreu o bastante o meu Senhor sobre a cruz, para que eu O faça sofrer ainda mais? Devo eu dar-Lhe mais fel e vinagre para beber? Quão desleal e insincero eu tenho sido! O quanto tenho eu entristecido o Seu Espírito, negligenciado os Seus mandamentos reais, desprezado o Seu sangue! Isso abre uma veia de tristeza piedosa e faz o coração bater novamente. ‘Então, Pedro […] saindo dali, chorou amargamente’ (Mt 26.75).”



Por fim, nós cristãos precisamos tomar muito cuidado com as novas formas de doutrina que surgem querendo suprimir o bíblico chamado de Jesus para o arrependimento pessoal. Vivemos na época da “cultura terapêutica” em que os atos pecaminosos foram ressignificados por clínicos, psicólogos e sociólogos, tornando-os em meros sinais de doença mental (veja os exemplos de defesas atuais no âmbito jurídico de estupradores, abusadores e pedófilos), em transtornos pontuais (surtos de agressões, explosões ou estresse) ou em apenas alguma síndrome das tantas síndromes que hoje existem.



Porém, apenas mudar a semântica de um ato não torna o ato aceitável perante os olhos de Deus. Chamar a fofoca de “conselho íntimo” não muda a mente de Deus que ainda considera como pecado e que nos chama - enfática e constantemente - a mudar não a nossa terminologia, mas o nosso coração.



Fonte: Jornal o Regional
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