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Três Dias: Pequeno manual de sobrevivência do consumidor de jornalismo, de Rogério Silva Araújo:

Como bem descrito pelo editor Márcio Scansani, o livro de Rogério Silva Araújo, publicado neste ano pela Editora Armada, pode ser considerado como “uma espécie de ‘manual de defesa do consumidor de jornalismo’ escrito em apenas três dias, daí seu título.” Ao longo das quase 100 páginas, o autor que é jornalista, escritor, pesquisador independente e fotógrafo internacionalmente reconhecido, conseguiu conduzir o leitor à compreensão sobre a essência do verdadeiro jornalismo, bem como descortinar as técnicas e táticas do falso jornalismo, aparelhado por ideologias à serviço de interesses escusos.



O autor, conforme atesta o também jornalista e prefaciador do livro Luis Vilar, “demonstra um profundo conhecimento técnico da profissão e coloca, de forma didática, para o leitor a diferença entre fatos e a opinião, sabendo que o ‘o cidadão tem fome de informação, mas precisa da opinião como auxiliar na sua compreensão sobre os assuntos que interessam...’”. O jornalismo brasileiro, em geral, se perdeu na má compreensão dessas diferenças. Aqueles que deveriam ensinar o consumidor a separar esses elementos para uma interpretação adequada das narrativas, estão perdidos dentro dos limites e conceitos de sua própria profissão.



Portanto, como um “plenamente justificado arroubo de revolta contra o que transformaram sua atividade profissional, Rogério Silva Araújo, já brilhante autor da Armada, neste Pequeno manual de sobrevivência do consumidor de jornalismo retoma Chesterton e pretende uma re-forma”, escreveu o analista cultural André Assi Barreto. É importante deixar claro que o leitor não irá encontrar aqui uma descrição acadêmica e muito exigente; pelo contrário, o autor faz questão de deixar claro que se trata de uma prosa, que deve ser acompanhada de um cafezinho, com bom humor, sagacidade e inteligência ferina.



O livro é separado em quatro partes. Na parte I, Rogério conversa com seu leitor sobre temas envolvendo os produtos jornalísticos. O autor esclarece conceitos como informação e opinião, trata das regras - ignoradas em muitos jornais - de redação, aborda a “nova concorrência” isto é, a internet, e propõe ótimas críticas com exemplos atuais dos problemas da imprensa ilusionista. Na parte II, Rogério toca na ferida mais profunda do jornalismo e talvez seu dilema ético mais difícil, ou seja, a questão envolvendo a imparcialidade e a neutralidade.



Na parte III, temos uma conversa muito necessária aos consumidores de jornais sobre algumas táticas de ilusionismo. O autor traz exemplos de notícias polêmicas de 2020 e mostra onde e como os jornalistas acabam iludindo - como um mágico da cartola - seus consumidores, produzindo interpretações falsas com consequências terríveis. Se você deseja descobrir os segredos do mágico, e se livrar dessas armadilhas, só tenho um conselho: leia o livro!



Na parte IV, algumas pontuações são feitas sobre ética, credibilidade e, ao meu ver, a mais importante de todas, sobre a mentira. Por vivermos numa era considerada “pós-verdade”, onde os fatos se tornaram alternativos e o subjetivismo é levado ao seu nível mais radical promovendo relativismos morais, o autor relembra a todos que para fazer um jornalismo de verdade, antes de mais nada, é preciso crer que existe uma verdade; uma verdade a ser crida, descoberta, evidenciada e publicada.



A importância de uma epistemologia conservadora para a pureza do jornalismo é ressaltada aqui como em nenhum outro momento do livro. “A mentira” escreveu Rogério, “está para o jornalismo como o veneno letal ministrado deliberadamente a um paciente está para a Medicina, como a trair interesses do cliente está para o Direito, como a fraude documental está para a Contabilidade. Jornalistas podem equivocar-se, mas não podem mentir.”



O livro tem como público-alvo tanto jornalistas, quanto consumidores de jornalismo. No capítulo I e II, o jornalista profissional pode encontrar um material objetivo e prático para sua profissão, analisando e comparando o que se tornou sua profissão com o que deveria ser. Por outro lado, o consumidor, nos capítulos III e IV encontrará material útil e adequado para seus hábitos de leitura, para sua informação e para sua defesa.



Não há uma divisão estanque entre quem pode se beneficiar mais com os capítulos, pois conhecer os detalhes da profissão é importante para o leitor como consumidor crítico, tanto se colocar na posição de consumidor é extremamente necessário ao redator. Vale dizer que a edição da Armada está adornada com beleza estética e rigor gráfico, além de fotografias que nos instigam a um cafezinho em uma noite chuvosa.



Por fim, deixo uma dica de leitura: apesar de curto, leia sem pressa. Existe muita informação necessária e rara, dita de maneira muito clara e transparente. Faça como as vacas e rumine cada parágrafo notável, extraindo todos os nutrientes e tente visualizar sua aplicação prática. Com isso, a compreensão do assunto vai ser aprofundada e a leitura ficará mais agradável e interessante.



Fonte: Jornal o Regional
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