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Educação: alcançar a todos ou alcançar a verdade?:

No dia de hoje, 28 de abril, é comemorado o Dia Internacional da Educação. Essa data originou-se a partir do Fórum Mundial de Educação, realizado em abril de 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. Na ocasião, representantes de 180 países se reuniram para assinar um documento que firmava o dever das nações em não poupar esforços para que a educação chegasse a todas as pessoas do planeta até 2015.



Ao todo, mais de 150 governos adotaram esse compromisso. O acesso de todos à educação como um direito é um tema controverso. Pesquisadores mais liberais tendem a defender que a educação não se trata de um direito a ser garantido pelo Estado, assim como garantir o trabalho não deveria ser uma ocupação do órgão público, mas do interesse e da livre iniciativa do indivíduo.



Não discordo dessa perspectiva. Contudo, penso que podemos – e devemos – pensar em como garantir acesso à educação a todos, mesmo que o conceito de educação seja distinto em cada região e varie de significado e interesse de pessoa para pessoa. Digo isso, pois devido a constituição política e o sistema educacional em que estamos inseridos, pensar em um afastamento completo do Estado dos processos de aprendizagem dos cidadãos me parece utópico demais – apesar de concordar com as premissas da educação liberal. Precisamos raciocinar a partir de uma realidade concreta.



O Estado brasileiro, atualmente, possui um ministério (MEC) responsável pela normatização e supervisão do processo educativo em todo território nacional. Seu objetivo final é garantir educação de qualidade para todos. Uma das formas que o governo encontrou para realizar essa tarefa é a gratuidade do ensino (o que é, de longe, equivocado, visto que todos os serviços prestados pelo Estado são sustentados por altíssimas cargas de impostos) e um investimento maciço. Apesar da aparente gratuidade e dos investimentos, o país não parece avançar em seu objetivo.



Culpar a gratuidade não me parece lógico para quem defende a ação do Estado na educação e apontar a falta de investimentos como um fator também é um equívoco, pois estudos já provaram que a quantidade de aplicações financeiras no setor educativo não tem relação direta com o sucesso do sistema. Outra maneira, essa mais recente, foi a de estabelecer baixos padrões de aprovação e exigências e instalar “braços de solução” para alunos retardatários (EJA, por exemplo) para que nenhum indivíduo fique de fora do ensino. Contra todas as expectativas, esses métodos também não funcionaram.



Pelo contrário, a facilidade, comodidade e o pouco rigor desses modelos fomentam cada vez mais a indiferença e a evasão escolar dos alunos. Acredito que há um elemento que parecer ter sido esquecido pelos elaboradores de políticas educacionais: que a educação não é um direito natural, o qual nascemos com ele e sem nenhum esforço e interesse esse direito se internaliza em nossa mente. A educação, antes de tudo, é uma conquista, uma jornada árdua ou para usar as palavras de Enkvist, é “um desafio contínuo” e para alcançar os objetivos é necessário interesse de quem aprende.



A professora de literatura espanhola e autora do livro Educação: guia para perplexos, Inger Enkvist (1947-) defende uma visão do processo educativo baseado em três triângulos: “Um primeiro triângulo seria a família, a escola e a sociedade, sendo aluno o elemento que põe em relação essas três instituições.” Isso significa que deve haver um acordo entre as instituições a respeito da importância da educação.



Sem o apoio de cada uma das partes, o aluno é prejudicado. Depois, no segundo triângulo “(...) ligam-se o aluno, a família e o professor.” Enquanto os pais apoiam o professor e o aluno no aprendizado, o aluno se deixa guiar por sua família e pelo professor na busca pelo conhecimento. Sem essa parceria mútua, o professor é prejudicado. Por fim, no terceiro triângulo, “(...) estabelece-se uma relação entre o professor, o aluno e a matéria.”



O professor é responsável por ensinar a matéria e o aluno deve aprendê-la com a ajuda do professor. Contudo, o aprendizado jamais pode ser possível se o aluno não se dispor a aprender. Esse é o dado central da educação. Quando se introduzem desequilíbrios entre os elementos, a formação fica comprometida. Atualmente, o humanismo radical proporcionado por pedagogias antropocêntricas é o que mais tem desequilibrado a educação.



Vivemos em tempos onde “(...) todo o enfoque está na vontade do aluno, e se deixa de lado o professor e a matéria.” Jamais deveríamos pensar que o aluno é o fim da educação e que ele não deve agir responsavelmente de acordo com os outros elementos. Pelo contrário, o fim da educação é a própria educação, mais precisamente a verdade. Sem verdade não há sentido no próprio aprendizado.



Portanto, seja no setor público ou privado, devemos estabelecer diretrizes políticas pedagógicas onde o conteúdo seja mais uma vez colocado no centro do processo, enquanto a família, a escola, a sociedade, o aluno, o professor e a instituição caminham juntos rumo ao saber. O nosso principal objetivo não deveria alcançar a todos, isto é, alunos, mas a verdade, uma só e suprema mestra da vida. O protagonista do processo de aprendizagem deveria ser a própria e sublime verdade.

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